sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Jovens Voluntários


Os grupos de voluntariado não saltam à vista e acha-se que as pessoas com vontade de ajudar estão em extinção, no entanto elas existem e continuam a dar-se a uma causa: ajudar os outros.

Apesar da descrença da sociedade nos jovens, eles continuam a dar provas de que há ainda pessoas que conhecem o significado das palavras ajuda, solidariedade e entrega. Dessa geração rasca – designação atribuída aos jovens de hoje –, destaca-se um grão: Miguel Alvim. Este jovem universitário de 24 anos não só fez voluntariado África, como também criou um grupo com o mesmo fim: o Grão.
O Grão formou-se em Outubro de 2005 e pretende ser “um grão numa imensidão de possibilidades”.
Miguel fala da sua experiência em África e das dificuldades por que se tem de passar: “quando queremos ajudar pensámos que isso basta mas é importante conhecermo-nos a nós e aos outros, é indispensável saber viver em comunidade”. Das relações e laços que se criam em solo africano, Miguel Alvim diz: “recebem-nos muito bem quando chegámos a África. É fora de série porque vamos com vontade de ajudar, de levar um bocado do nosso mundo, da nossa vida fácil, do nosso conhecimento, etc., mas a verdade é que somos nós os ajudados. A forma como nos recebem e como estão dispostos a receber uma ajuda é incrível.”
Quando questionado sobre as condições em que os voluntários vivem durante o tempo que lá estão, o mentor do Grão defende que “quando uma pessoa se dispõe a ajudar é para viver como eles, levar uma vida com o mínimo de condições possíveis para nos tentarmos equiparar a eles. Faz sentido que, ao ajudar uma pessoa, o voluntário viva o que o ajudado vive. Só assim se pode compreender a realidade de lá”.
Num balanço do que sente quando se passa por uma experiência destas, Miguel Alvim diz: “Acho que todos os que passam por esta experiência ficam com uma vontade enorme de lá voltar”.

Creu-il: uma casa, uma grande árvore e uma pequena capela


O centro de Reflexão e Encontro Universitário – Inácio de Loyola (Creu-il) é um diferente centro cristão que reúne jovens universitários e integra vários grupos de voluntariado.

Situado perto da rotunda da Boavista no Porto, na rua Oliveira Monteiro, o CREU é orientado por padres jesuítas e estudantes universitários. Neste centro, a ideia convencional do catolicismo sério não existe. Estes jovens conseguem reunir a alegria e diversão com a oração. Organizam várias actividades em que conciliam a sua fé com a boa-disposição.
Este centro de reflexão tem como principais objectivos a relação com Deus, o auto-conhecimento, a comunidade e o voluntariado dos jovens universitários.
Para além das várias actividades destinadas aos jovens que pretendam integrar este centro, o CREU reúne alguns grupos que lhe permitem que estes universitários tenham outra visão da realidade. Grupos como Rabo de Peixe, Visitadores, Fas, Leigos para o Desenvolvimento e Grão constituem uma componente pedagógica, como diz o slogan da própria instituição: “onde encontras coisas que as aulas não dão”.
Miguel Alvim é o mentor do grupo Grão. Este grupo foi criado em Outubro de 2005 e faz voluntariado em África durante dois meses de verão. Miguel diz que “quando uma pessoa se dispõem a ajudar é para viver como eles, levar uma vida com o mínimo de condições possíveis para nos tentarmos equiparar a eles. Faz sentido que, ao ajudar uma pessoa, o voluntário viva o que o ajudado vive. Só assim se pode compreender a realidade de lá” e, por isso, “é necessário que a pessoa já tenha uma certa maturidade pois é uma experiência muito forte onde se vivem sentimentos muito intensos.”
Para além das diferenças (Noite de encontro inter-religioso), Sábado Pote (Dia de encontro a partir de cetas questões), Batata-Frita (Serão criativo e surpreendente), Copo-a-três (Um convidado é entrevistado por dois estudantes), Damas e Valetes (Fim-de-semana para namorados no CREU) são os nomes de algumas das actividades realizadas.